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06 ago, 2016

Silêncio, por Richelle Mead

Silêncio é uma fantasia YA, escrita por Richelle Mead, autora das séries Vampire Academy e Bloodlines, lançada pela Galera Record em 2016. O livro acompanha a jovem Fei, que vive em um vilarejo no alto das montanhas onde, por alguma razão misteriosa, toda a população é surda. Fei é uma das aprendizes de artistas que tem como obrigação registrar os acontecimentos do vilarejo com suas pinturas, que mostrar situações como os mineiros trabalhando nas minas de metais preciosos, ou os carregamentos de comida que o vilarejo recebe, que são cada vez menores.

O vilarejo envia carregamentos de metais para uma cidade que existe ao pé da montanha, e em troca a cidade envia carregamentos de comida. Mas problemas começam a surgir, já que parte da população do vilarejo começa a perder a visão, o que os impede de trabalhar nas minas. Menos trabalhadores significa menos minerais, que significa menos comida. A população passa cada vez mais fome, e ficam a mercê do ser misterioso que decide o quanto de comida será enviado em cada carregamento.

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Numa certa manhã, Fei acorda e descobre que recuperou sua audição. Apesar de não saber o que causou essa mudança, Fei está determinada a utilizar sua nova habilidade para descer a montanha onde vive, e ir até a cidade de onde vem os carregamentos de comida, o que era impossível já que a população surda do vilarejo não consegue ouvir os deslisamentos de pedras da montanha. Fei, junto com Li Wei, um mineiro revolucionário e seu amigo de infância, decidem então se aventurarem montanha abaixo, e descobrem que a realidade pode ser bem mais complicada do que imaginavam.

Eu tinha ouvido algumas criticas negativas sobre esse livro, lido algumas resenhas mais ou menos, assistindo alguns vídeos não muito positivas, então entrei nessa leitura com expectativas meio baixas. Ainda mais porque gosto bastante dos outros livros da Richelle Mead, principalmente os livros da série Vampire Academy, que eu gosto bastante. E acabou que o livro não foi a decepção que eu achei que seria. Mas também, isso não quer dizer que ele foi excelente. Na verdade, ele acabou caindo no meio termo.

O que me chamou a atenção nesse livro logo de cara foi o conceito. A ideia de um vilarejo em que todos são surdos há gerações, e ninguém sabe o porque, até que um dia, uma pessoa recupera a audição é bem interessante. E é muito legal ver um livro com tantos personagens deficientes, já que é bem raro ver esse tipo de representabilidade na literatura YA. Esse conceito foi um dos meus pontos favoritos do livro.

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Outro ponto positivo é a escrita da Richelle Mead. Como eu já disse, gosto bastante dos livros dela, e Silencio foi mais uma prova de que ela escreve bem pra caramba. A minha parte favorita foi o momento em que Fei descobre que consegue ouvir, e precisa descobri novas maneiras de descrever os sons. É o tipo de coisa que nem passa pela minha cabeça, já que eu estou acostumado a ouvir, mas foi incrível ver uma coisa que eu experiencio todo dia sendo descrito de uma forma totalmente nova.

Mas é claro que nem só de positivos vive esse livro, né? E o primeiro ponto negativo é que, na minha opinião, é que ele, no geral, não é característico o suficiente. O tal vilarejo onde vive Fei não é diferenciado do resto do mundo, eu não sei dizer exatamente onde ele fica, só que ele fica no continente asiático. Partindo da mitologia, acho que ele seria na China, mas mesmo isso é um chute meu, e não uma certeza que o livro me passou.

Outra coisa que precisava de mais caracterização são os personagens. Fei é a que recebe mais caracterização, obviamente já que ela é a protagonista, mas mesmo ela não é tão explorada como eu gostaria. Li Wei e os outros personagens não são descritos ou explorados o suficiente para serem marcantes. Principalmente porque não existem tantos personagens asiáticos na literatura YA, teria sido uma ótima chance de trazer uma protagonista asiática marcante.

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E o final também foi meio decepcionante. Depois de passar o livro inteiro seguindo os personagens e vendo o quanto eles estavam sofrendo, o final veio meio que de repente, do nada, sabe? Acho que esse é um daqueles livros que se beneficiaria muito de ter umas 50 páginas a mais, pra explorar mais os pontos que ficaram meio esquecidos.

No geral, Silêncio não foi a pior leitura desse ano, mas também não foi a melhor. Como eu já disse, tenho a impressão que esse livro precisa de mais páginas, de mais exploração dos personagens e da mitologia. Entre os livros da Richelle Mead, eu fico com Vampire Academy e Bloodlines. Silêncio é uma leitura rápida, mas infelizmente, não é nada memorável.

E vocês, já leram Silêncio? Pretendem ler? Curtem os livros da Richelle Mead? Contem pra gente nos comentários!

19 jul, 2016

5 Séries Canceladas Cedo Demais

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Séries canceladas. Se tem uma dor que todo viciado em séries compartilha, é a dor de ver uma de suas séries favoritas ser cancelada. E essa dor fica ainda pior quando você sabe que os criadores e roteiristas ainda tinha muita história pra contar. E como ficam os personagens pelos quais você se apaixonou? Os mistérios que vão ficar sem respostas?  E pra piorar, aquela série chata que você não aguenta mais ouvir falar foi renovada para a nonagésima terceira temporada!

Enfim, é péssimo ver uma série com tanto potencial ser cancelara tão cedo. Pensando nisso, juntei algumas das séries que eu mais sinto falta pra apresentar pra vocês. Afinal, pra que serve essa dor se não pra ser compartilhada, não é? Então, bora sofrer junto!

1 – Almost Human

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Criação do mestre do sci-fi moderno, J J Ambrams, Almost Human estreou em 2013, e me ganhou logo na premissa. Num futuro em que a evolução da tecnologia e da ciência causa um aumento na taxa de criminalidade, é implementada uma nova politica: todo policial humano recebe um parceiro androide. O detetive John Kennex (Karl Urban, dos filmes Star Trek e Dredd), que teve experiencias ruins com androides no passado, não fica exatamente feliz ao saber que agora terá que trabalhar com Dorian (Michael Ealy).

Eu sou suspeito de falar porque sou fã das produções do Abrams, mas Almost Human era muito legal. A série levantava questões super interessantes sobre filosofia e tecnologia, sem perder aquele ar de aventura sci-fi que eu adoro. Infelizmente, a audiência da série não era das melhores, e os custos de produção eram grandes demais pra Fox continuar com uma segunda temporada.

2 – Firefly

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Toda lista séries que mereciam mais temporadas precisa ter Firefly, é tipo a lei da internet. Criada por Joss Wheadon (criador de Buffy, A Caça-Vampiros, e diretor de Os Vingadores) em 2012, Firefly retrata as aventuras da tripulação da espacionave Serenity, protagonizadas pelo seu capitão, Mal Rivers (Nathan Fillion, de Castle). A série ainda contava com um elenco incrível: Gina Torrez, Alan Tudyk, Morena Baccarin, e Summer Glau (que inclusive é super pé frio pra séries, não sei como que Arrow escapou da maldição dela.

Mas como a vida não é justa, a série durou apenas 14 episódios. Apesar da baixa audiência, Firefly foi muito bem nas vendas quando saiu em DVD e acabou reunindo um fandom enorme, apesar da vida curta. A exigencia dos fãs foi tanta que, em 2005, a Sony Pictures lançou um filme para continuar a história da série, intitulado Serenity. Não foi exatamente o que os fãs queriam, mas já é alguma coisa, né?

3 – Dollhouse

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Dá pra perceber que eu sou muito fã do Joss Whedon? Dollhouse foi a próxima produção dele pra TV depois de Firefly, e é protagonizada por Eliza Dushku, interprete da Faith de Buffy, A Caça-Vampiros. A série mostra o funcionamento de uma Dollhouse, um estabelecimento que programa indivíduos, conhecidos como Ativos ou Dolls, com habilidades temporárias, para que eles realizem serviços para clientes, que vão desde assaltos a banco até ao sexo. Eliza vive Echo, uma dessas Dolls que parece estar desenvolvendo auto-consciência.

A série não era exatamente um sucesso de audiência, mas também não estava indo tão mal assim, tanto que conseguiu uma renovação pra segunda temporada. Mas, sabe se lá porque, a Fox decidiu cancelar a série em 2010, quase um ano depois de sua estréia. O que é uma pena, não só porque a série ainda tinha história pra contar, mas também porque desde então a Eliza Dushku não protagonizou outra série.

4 – Young Justice

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Animação também conta, né? Conta? Então tá! Young Justice começou a ser exibido em
2010 pela Cartoon Network, como parte do bloco DC Nation, que agrupava animações baseadas nos quadrinhos da DC Comics. Young Justice seguia as missões de um grupo formado pelos “assistentes” dos super-heróis que nós já conhecemos: Robin, Superboy, Aqualad, Kid Flash, Miss Martian e Artemis, enquanto eles tentar provar que são tão capazes quanto os hérois com quem trabalham.

Young Justice ganha o prêmio para motivo mais idiota de cancelamento. Não, não foi por causa de audiência. Mas a grande maioria do público que estava vendo o programa era composta de meninas. E a Cartoon Network, sabe-se lá porque causa, motivo, razão ou circunstância, achou que as meninas que estavam assistindo o desenho, não iriam comprar os brinquedos e produtos relacionados a ele. O QUE NÃO FAZ O MENOR SENTIDO. Existem boatos que a Netflix talvez produza uma terceira temporada da série, e eu vou dormir todo dia pedindo a Deus pra que isso seja verdade.

5  – Pushing Daisies

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Ah, como doí! Pushing Daisies é uma criação de Bryan Fuller, que também criou Dead Like Me, Wonderfalls, e desenvolveu Hannibal. A série conta a história de Ned (Lee Pace), dono de uma confeitaria que tem a habilidade de reviver os mortos com um toque. Mas esse poder tem suas regras: Depois de tocar no morto uma vez, Ned não pode tocar nele novamente, ou ele morre de novo, dessa vez pra sempre. Além disso, se ele passa mais de um minuto vivo, outra coisa precisa morrer no seu lugar.

A série tinha uma identidade visual muito legal, que lembrava muito o filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, e um roteiro divertido e dinâmico. Infelizmente, a série foi afetada pela greve dos roteiristas de 2007, o que causou problemas na produção. Esse atraso na produção acabou levando a um decline no interesse do público, e a série foi cancelada em sua segunda temporada. E eu choro até hoje por não saber como a história de Ned e Chuck termina.

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Bom, é isso. Essas são algumas das séries que eu até hoje não aceito terem acabado. E vocês? Qual série vocês gostariam que ainda existisse? Conta pra gente aí nos comentários!
(Obs: Menções honrosas, e sugestões dos meus amigos: Faking It (nunca vi), Ringer (nunca vi), Constantine (nunca vi, mas pretendo), Tru Calling (só não entrou porque vai aparecer em outro post no futuro).

27 abr, 2016

Rebelde, por Amy Tintera

Rebelde é uma ficção científica distópica escrita pela autora Amy Tintera, e publicado no Brasil pela editora Galera Record, em 2016. O livro, que é o segundo volume da série Reboot, se passa em um futuro em que uma doença atinge o estado do Texas, e as vítimas dessa doença, após morrerem, retornam a vida. Esses seres, chamados Reboots, são mais fortes, rápidos e resistentes do que qualquer humano. Além disso, quanto mais tempo o reboot passa morto, menos sensível e emocional ele é quando revive.

No primeiro livro, a protagonista Wren, acompanhada de um outro Reboot chamado Callum, consegue escapar das instalações da CRAH, uma corporação que utiliza os Reboot como força militar, e além disso, libertar diversos outros Reboots. (Pra quem quiser, está aqui a resenha do primeiro livro da série.)

Nesse segundo livro, Wren, Callum e os Reboots que fugiram da CRAH se encontram em uma reserva para Reboots, no meio do deserto. Apesar de parecer um lugar ideal para viverem, aos poucos o líder da reserva, Micah, se revela como uma pessoa controladora e cruel, que tem planos de exterminar os humanos da terra. Wren e Callum precisam , então, decidirem em que lado ficam. Ou se aliam ao exercito de Micah, ou se protegem os humanos que odeiam os Reboots.

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Assim como no primeiro livro, a história é contada pelo ponto de vista da Wren, mas em Rebeldes, essa narração é dividida com Callum. No começo, eu achei que isso ia ser um problema, pois já li livros com mais de um narrador em que as duas narrações era basicamente iguais (quem adivinhar de qual livro eu estou falando, ganha 1 ponto). Mas ao longo do livro, os pontos de vista dos dois foram se tornando mais distintos, principalmente graças ao senso de humor de Callum.

A escrita de Amy Tintera continua sendo muito boa, principalmente nas cenas de ação, que são um dos pontos mais fortes do livro. A leitura dessas cenas é tão acelerada e cheia de adrenalina, que eu quase quero um filme dessa série, só pra poder ver essas brigas feitas com pessoas de verdade.

Os personagens são bem escritos. Wren e Callum continuam aquela evolução que iniciaram no primeiro livro, dessa vez se aprofundando ainda mais nas características praticamente opostas que os dois possuem, já que existe uma diferença bem grande na quantidade de tempo em que passaram mortos. Isso cria alguns momentos de conflito entre os dois, o que contribui muito pra história.

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Outros personagens são acrescentados a história, como o líder da reserva de Reboots, Micah e Riley, o Reboot que treinou Wren na CRAH, antes de desaparecer. Ambos são ótimos personagens, Micah em particular, e tem ótimos momentos ao longo do livro. Além deles, personagens que já tinham aparecido no primeiro livro também são utilizados, como a Reboot Addie, e o irmão de Callum, David, marcam momentos interessantes da história.

O enredo em si é bastante envolvente. O conflito entre Micah e Wren, o dilema que ela sofre sobre se deve ou não proteger os humanos, e as incompatibilidades entre Wren e Callum servem como uma excelente base para o livro. Apesar de ter achado certos pontos da história um tanto previsíveis (principalmente uma das mortes), adorei acompanhar cada desfecho dessa trajetória.

Outro pequeno problema que tive com a história é que, as vezes, ela parece andar meio que em círculos. Em certo momento, um problema que atrapalha Wren se manifesta, logo depois é resolvido. Um pouco mais tarde, ele aparece de novo! E logo é resolvido, novamente. Isso não me incomodou demais, mas as vezes, pode ficar um pouco maçante.

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No geral, Rebelde é uma continuação que mantem o nível do primeiro livro. Apesar de alguns pontos nem tão bons, o livro é adrenalina do começo ao fim, além de apresentar personagens que sofrem conflitos emocionais e morais mais profundos do que os que geralmente se vê em livros desse estilo.

Fiquei muito impressionado com a autora, e espero que venham mais livros dela por aí. Vi na internet que ela vai lançar uma nova trilogia ainda esse ano, e tomara que a Galera Record traga essa pra cá também.

18 abr, 2016

Zumbeatles: Paul Está Morto-Vivo, por Alan Goldsher

Zumbeatles é um livro de comédia de terror, escrito por Alan Goldsher, e publicado no Brasil pela Galera Record em 2016. O livro funciona como uma biografia fictícia da maior banda de rock’n’roll de todos os tempos, Os Beatles, composta por um jornalista que também é fã deles. Essa biografia cobre toda a trajetória  da banda, desde o dia em que John Lennon conheceu Paul McCartney, desde o show no telhado do prédio da Gravadora Apple, em 1969, e conta a história de como Os Beatles alcançaram o topo das paradas musicais do mundo todo. Pode parecer que isso apenas mais uma biografia sobre uma banda de rock, se não fosse um pequeno detalhe: nesse livro, Os Beatles são zumbis!

Exatamente, na história criada por Alan Goldsher, John Lennon, Paul McCartney e George Harrison eram mortos-vivos (Ringo Starr, não. Ele era um ninja). Nessa história, os zumbis não só existem, como são uma parte considerável da população mundial. E Liverpool, berço dos Beatles, é um território onde, sabe-se lá porque, os mortos-vivos possuem um grande talento musical. E John Lennon, um jovem zumbi com planos de dominar o mundo, decide começar uma banda de zumbis.

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Não dá pra julgar o enredo do livro, já que a maior parte dele é inspirado em acontecimentos reais. Então a maior parte dessa resenha vai ser focada na escrita de Alan Goldsher, e na forma como ele utilizou os personagens, que são figuras lendárias do rock’n’roll.

Pra começo de conversa, esse é um dos livros mais engraçado que eu já li. Eu nunca achei que ia ler um livro que contem entrevistas com Os Beatles, Mick Jagger, Bob Dylan, o Diabo, Jesus Cristo, entre outros. É um humor bastante non sense, e pode não ser pra todo mundo, mas eu pessoalmente curti demais a proposta do livro. Acho que eu nunca ri tanto com um livro antes

Por outro lado, o humor pode ser meio infantil as vezes. Sem dar spoilers, mas usando como exemplo a cena da primeira vez em que Os Beatles conhecem Bob Dylan, é um tipo de humor que eu não acho tão engraçado. Mas isso é questão de gosto, né? E gosto não se discute, ou pelo menos não deveria.

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Zumbeatles é um livro difícil de descrever porque explicar demais dele acaba estragando a experiencia da leitura. O melhor mesmo é se jogar de cabeça nele sem saber quase nada da história, e descobrir cada detalhe maluco por si memso. Recomendo demais esse livro pra todo mundo que gosta de zumbis, música e de rir.

E pra galera que for ler o livro, tomei a liberdade de criar uma playlist no Spotify pra contribuir ainda mais pra leitura de vocês. São algumas faixas do Beatles, misturadas com umas músicas muito legais ligadas a zumbis que eu aposto que muito de vocês nunca ouviram. Dá um play aí!