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Resenhas 09abr • 2018

O Cara dos Meus Sonhos (ou quase), por Jenn Bennet

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Eu conheci a Jenn Bennett muito por acaso, quando eu estava na saraiva uma vez e me deparei com outro livro dela, Night Owls. Desde então eu me tornei uma apaixonada por sua escrita e pela forma como ela criava os seus personagens e, quando a Plataforma 21 começou a divulgar o lançamento de O Cara dos Meus Sonhos (ou quase), eu fiquei bastante animada para compartilhar com mais pessoa a escrita maravilhosa dessa autora.  Em O Cara dos Meus Sonhos (ou quase), Bennett traz um romance adolescente que começa na internet e, acreditem quando eu digo que o relacionamento de Zibelina e Alex não vai te decepcionar.

O enredo de O Cara dos Meus Sonhos (ou quase) é narrado em primeira pessoa e nós temos a chance de conhecer muito sobre a história da Bailey. Apesar de vir de uma família com uma situação financeira razoavelmente boa, Bailey não é uma garota popular e nem está em busca de fazer parte de grupos de amigos. Seu passatempo favorito é assistir filmes e, foi assim que ela começou a conversar com um garoto da Califórnia chamado Alex. Claro que ela não sabe tudo sobre ele porque, bom… a internet às vezes pode não ser um lugar seguro, mas isso não a impede de se mudar para a casa do pai que, por coincidência fica exatamente na mesma cidade em que o tal Alex mora. Leia mais

Resenhas 20jan • 2018

Olá, Adeus e Tudo Mais, por Jennifer E. Smith

Eu já contei para vocês que Jennifer E. Smith nunca decepciona os seus leitores? Porque ela nunca decepciona. Até mesmo Ser Feliz É Assim, que nem é um dos melhores livros que eu já li da autora tem os seus pontos fortes e, eu não consegui não me apaixonar ainda mais por ela quando li A Geografia de Nós Dois no ano passado. Smith tem um jeito único de criar personagens adolescentes realistas e ainda assim com aquele tom “apaixonado” que todo mundo adora encontrar em um YA, e com o enredo de Olá, Adeus e Tudo Mais, não foi nem um pouco diferente.

Olá, Adeus e Tudo Mais acabou de se tornar o meu livro favorito da Jennifer E. Smith. Primeiro de tudo, a narrativa do livro é em terceira pessoa e organizada em “paradas” que os personagens principais fazem ao longo da sua última noite juntos. Cada uma dessas paradas traz à tona um sentimento ou uma memória que os dois compartilharam juntos durante os dois anos de namoro que tiveram, o que os deixa ainda mais perdidos em relação ao que deve ser feito quando eles forem para a faculdade: terminar ou continuar o relacionamento a distância?

Smith construiu esses personagens com cuidado, dando total atenção aos detalhes que tornam cada uma das palavras ditas e decisões tomadas reais para quem está lendo. Eu gostei do fato de ela não precisar usar flashbacks para que eu pudesse conhecer o relacionamento dos personagens e porque aquela decisão era tão importante e tão difícil para eles. Clare e Aidan são personagens que, ao longo do período que estiveram juntos, construíram uma relação muito bonita, que não envolvia apenas o amor que sentiam um pelo outro, mas também a amizade e a confiança que cultivaram. Leia mais

Resenhas 27dez • 2017

O Ódio Que Você Semeia, por Angie Thomas

O Ódio Que Você Semeia é o livro de estreia da Angie Thomas, e foi publicado ainda no início desse ano, 2017. De lá pra cá, o livro foi parar na famosa lista do New York Times, em primeiro lugar, e de lá pra cá, ele também chamou minha atenção. Muito. Por razões mil, criei e alimentei altas expectativas pelo que encontraria no livro, graças à sinopse e à capa – passei o ano inteiro querendo lê-lo. Angie Thomas tocou em uma ferida bem feia e aberta dos Estados Unidos, e, talvez sem saber, tocou também em ferida brasileira – universal, talvez -, pois o livro aborda, dentre várias coisas, a alta taxa de mortalidade de jovens negros pela polícia em situações em que, normalmente, não fosse um negro na situação, a morte não ocorreria, e foi exatamente aí onde minhas expectativas encontraram abrigo. A Galera ainda fez uma playlist no Spotify, baseada no livro, mas eu adicionaria outras, mencionadas no livro, como fez a própria Angie Thomas, nessa playlist.

A capa do livro, com uma garota negra segurando um cartaz no qual se lê o título do livro em letras imensas, com apenas seus olhos a mostra, já me deu uma sensação de que eu sentiria um impacto, me lembrou protesto. A contracapa, com o jovem negro sem rosto, abaixo da frase “A justiça é cega?”, já me deu outra sensação, a de que eu precisaria ler com calma, sabendo que teria algum impacto, grande ou pequeno. Minhas expectativas se misturaram com o frio na barriga e eu soube que esse livro poderia ser bem significativo pra mim – não se tornaria uma bíblia ou algo do tipo, mas me tocaria de algum modo, me passaria alguma mensagem. Meu medo? A Angie Thomas ter me enganado com a sinopse e me deixar chupando dedo.

Logo nos primeiros capítulos foi possível compreender bem o contexto da Starr, a protagonista: moradora do gueto, negra, que se divide entre fragmentos de si mesma de acordo com o ambiente onde estiver: Starr de casa e dos amigos negros de Garden Heights, a Starr de Williamson, a escola privada de classe média-alta, no subúrbio, em que estuda, onde tem seus amigos brancos e seu namorado Chris. Em casa, Starr pode ser ela mesma, enquanto na escola, ela deve agir de forma neutra para não incorporar nenhum estereótipo de negra do gueto – e esses mundos não se misturam. Até aí, nada se mistura e ela consegue manter essa linha divisória perfeitamente. Em uma trágica noite, Starr testemunha o assassinado a sangue frio de seu melhor amigo, Khalil, por um policial. Ela tem dezesseis anos. Ele toma três tiros nas costas, estando desarmado. Leia mais

Resenhas 15nov • 2017

Esqueça o Amanhã, por Pintip Dunn

Eu tinha todas as esperanças do mundo quando comecei a leitura de Esqueça o Amanhã. Mesmo com algumas resenhas negativas, eu me mantive firme e forte na leitura dessa distopia porque acreditava que toda a ideia de uma sociedade construída em cima de “memórias” poderia ser uma aventura e tanto. E, até certo ponto, eu não estava errada. De um modo geral, o enredo de Esqueça o Amanhã é interessante e desafiador, mas a autora peca em pontos importantes na construção do universo e o foco constante no romance entre os personagens principais foi um deslize do qual ela não conseguiu se recuperar.

É um erro comum dos autores de distopia falharem na ambientação do universo e com Esqueça o Amanhã não foi muito diferente. Nos primeiros dez capítulos do livro eu consegui me manter interessada na história, porém, a autora não me dava as informações que eu precisava para entender o universo no qual a história se passava. Como aquela sociedade começou? Quando chegamos naquele ponto? Como funcionava o sistema de memórias? Essas foram perguntas que ficaram na minha cabeça por quase toda a leitura e boa parte delas ainda não foram respondias.

O enredo de Pintip Dunn tem um ritmo lento, demorando mais de vinte capítulos para você poder dizer que a história realmente havia começado. Além disso, o ponto mais fraco do livro está na apresentação vaga dos personagens. Dunn insere uma quantidade infinita de novos personagens a cada capítulo, mas não apresenta de forma descente nenhum deles. Em certos pontos do livro eu senti muita dificuldade de lembrar com quem a personagem principal estava falando e porquê. A falta de organização na construção do enredo é outro detalhe gritante das falhas de Esqueça o Amanhã.

“Gostaria de viver num mundo onde o amor conquista tudo. Mas talvez tenhamos aberto mão deste privilégio quando o Boom Tecnológico alterou nossa sociedade. Talvez, quando construímos um mundo com base em imagens do futuro, tenhamos barganhado nossos sonhos em troca. Pagamos com a paixão de nossas almas, a paixão que arde de esperança, desejo e possibilidades.”

Para um enredo que promete “thriller” na contracapa, Esqueça o Amanhã está mais para um grande livro de romance do que qualquer outra coisa. É claro que o enredo trabalha seus momentos de tensão muito bem, mas prometer um thriller foi um pouco exagerado demais. Além disso, o foco do enredo é confuso, dificultando demais dizer para onde que essa história vai caminhar nos próximos três volumes da série que estão para serem lançados aqui no Brasil. Se vamos ter uma melhora de enredo ou de personagens é muito difícil de dizer.

Callie foi uma personagem que eu gostei nos primeiros capítulos do livro, mas conforme ela vai se deixando envolver pelos seus sentimentos por Logan, a personagem se torna um verdadeiro “pé no saco”. Depois de um certo ponto a leitura pode se resumir na personagem falando constantemente sobre o quanto está apaixonada por seu par romântico e mesmo quando você acha que as coisas vão começar a andar, Pintip Dunn te jogar novamente no looping emocional que é o relacionamento dos dois. Isso não é só cansativo, como matou completamente a minha vontade de continuar essa série.

“Uma garota que procura o sol, como uma flor se banhando em seus raios. Uma garota que ama sua família com todo seu coração. Uma garota tão corajosa que falará qualquer coisa para salvar a irmã . – Ele se aproxima. E chega mais perto ainda. – Você fez tudo o que eu devia ter feito por Mikey, mas não fiz. Sempre vou respeitar isso.”

Esqueça o Amanhã tenta trazer uma distopia pesada para os leitores, mas falha miseravelmente em todos os aspectos que provavelmente deveriam tornar o livro algo bom. Todos os personagens apresentados têm uma história um tanto “macabra” como background, mas isso não é trabalhado de forma inteligente pela autora ao longo dos capítulos. Aliás, passei boa parte do livro com a certeza de que Dunn não tinha a menor ideia de como usar todos os elementos que ela mesma tinha criado para o seu enredo.

Tirando toda a parte do enredo óbvio e das falhas grotescas de enredo, a escrita de Dunn não é ruim, mas apenas confusa. Se você tem disposição para encarar um enredo que não cumpre o que promete, mas que entrega pelo menos um dos romances mais melosos que vocês vão encontrar, então pode ser que Esqueça o Amanhã seja uma leitura muito melhor para você do que foi para mim. Eu comecei esse livro esperando entender uma sociedade com uma forma de governo que eu nunca tinha visto antes, mas me deparei com uma personagem principal passiva e um romance que não convence ninguém.

Esqueça o Amanhã é o primeiro livro de uma tetrologia (aparentemente isso é uma coisa) que eu não pretendo continuar. Distopia é um gênero que vem sendo muito difícil para mim desde o final de Divergente e acho muito difícil encontrar um autor que consiga construir um universo completamente novo, com a quantidade de romance necessária para manter o autor interessado, sem mudar completamente o foco do enredo – se vocês conhecerem um, por favor, me apresentem.

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Resenhas 15set • 2017

Graça e Maldição, por Laure Eve

Eu queria ter uma ideia formada sobre esse livro, mas por mais que eu tente, eu não consigo. Não sei afirmar o que a Laure Eve pretendia quando escreveu Graça & Maldição, mas eu preciso admitir que quando dizem que é um “crepúsculo só que muito ruim”, eu sou obrigada a concordar. Primeiro, o livro é um grande clichê tentando desesperadamente não ser um clichê. Os diálogos adolescentes com aquela profundidade filosófica reviram o estômago e uma personagem principal que não tem nenhuma personalidade só contribuíram ainda mais para que Graça & Maldição fosse mais uma leitura frustrada e entediante para a minha estante.

Mas vamos começar do começo, certo? Os Grace são tipo uma entidade. Todos querem estar com eles, todos querem ser eles. E mesmo as pessoas que não falam muito sobre eles, tem algum tipo de desejo secreto em relação a eles. Existem vários boatos de que eles são bruxos, mas nunca foi confirmado isso. Quando River se muda para a cidade e começa a frequentar a escola dos Grace, ela acaba ficando completamente fascinada por eles também – para não dizer obcecada, até que um dia ela finalmente consegue o passaporte de ouro para andar com os irmãos Fenrin, Thalia e Summer Grace. O problema é que, assim como a família Grace, River também tem os seus segredos e, conforme a trama se desenvolve, as coisas vão ficando cada vez mais obscuras.

Não se enganem, é o que eu digo. Graça & Maldição não é um grande mistério, muito menos um thriller. Também não é um livro sobrenatural sobre magia Wicca, como eu erradamente acreditei que seria. Apesar de Lauren Eve ter uma escrita muito gostosa, a construção do enredo é completamente confusa. Começando pelo enredo, com diversos time-jumps aleatórios que te deixam completamente perdido. Em um capítulo você está lidando com uma situação, no começo do outro já se passou uma semana ou até mesmo um mês e o narrador simplesmente joga na sua cara o que aconteceu nesse meio tempo com flashbacks inseridos no meio do texto sem nenhum aviso. Horrível, não é? Então, fica muito pior.

“Todos diziam que eles eram envolvidos com bruxaria. Eu queria desesperadamente acreditar nisso.”

Os diálogos são o cúmulo do clichê. Vão desde conversas pseudo profundas sobre a vida e a morte, desde discussões vagas sobre As Virgens Suicidas (Sim, o livro). E a autora não economiza nem um pouco nas piadas sem graça e naqueles “momentos” entre a personagem principal e o “crush” dela, seguido por um diálogo completamente estúpido e irrelevante para a história. Eu achei que já tínhamos superado o herói por quem “todas as garotas da escola eram apaixonadas”, mas claramente o mundo todo seguiu em frente, menos a Laure Eve. De verdade que só eu não aguento mais um suposto mocinho que é adorado por todo mundo, que tem todas as garotas a sua disposição e uma heroína esquisita à espera do príncipe encantado? Achei entediante.

Mas as tragédias desse enredo não param por aí. O livro é narrado em primeira pessoa, do ponto de vista da River, mas logo de cara você percebe que ela não é uma narradora confiável porque nem mesmo ela consegue dizer com total certeza o que está acontecendo. E se a narradora não tem certeza, como é que eu vou ter? O plot sobre os Grace serem ou não bruxos é um labirinto sem saída. Você pula de capítulo para capítulo sem ter certeza nem de uma coisa e muito menos da outra e, quando a autora começa a ficar sem saída, o enredo tem uma reviravolta completamente aleatória e sem nenhuma explicação. É igual série cancelada antes da hora onde eles filmam um final de qualquer jeito só para encerrar o assunto? Laure Eve faz isso em Graça & Maldição, só que muito mal.

“O sorriso ameaçava partir meu rosto caso eu não o deixasse vir à superfície, então eu sorri. Eu tinha muitos bons motivos para não fazer aquilo.”

Eu odiei a River como personagem do começo ao fim. Primeiro porque ela passava várias páginas descrevendo o cheiro de baunilha do Fenrin, seus cabelos dourados e seu corpo musculoso. E depois porque ela simplesmente não era verdadeira com ninguém, nem mesmo com ela mesma. Ela “bancava” a descolada sem ninguém estar pedindo isso dela, mesmo quando as pessoas diziam que ela poderia se mostrar sem medo. As próprias paranoias e obsessões que ela criava na própria cabeça eram seriamente perturbadoras e o fato da autora não dar nenhum tipo de explicação para esse comportamento só pioravam as coisas.

E os Grace? Não sei se é educado chamar eles de “a versão pobre dos Cullen”, mas eu não consigo pensar numa referência melhor. Não fica claro no livro se eles têm ou não consciência do que são, ou do que eles fazem com as pessoas, mas eu certamente não gostei dessa vibe “poderosa” que a autora criou para eles no livro. Principalmente quando eles não estavam realmente fazendo alguma coisa para merecerem aquilo. Digo, tudo em torno deles é baseado em boatos claramente distorcidos conforme foram passando de boca em boca. Além disso, a forma passiva com que eles lidam com tudo me deixou muito nervosa – ficou bem claro que nada daquilo ia acabar bem no final das contas.

Mais um dia se vai, e mais uma vez eu estou frustrada com livros sobrenaturais voltados para bruxaria. Eu realmente não sei porque os autores acham que é necessário criar um plot tão complicado, ou tão cheio de coisas aleatórias para se falar de magia. Digo, tem tanto material maravilhoso para pesquisar. Além disso, a autora me fez o favor de deixar isso no ar. Em nenhum momento eu tive certeza do que estava acontecendo, se os personagens eram x ou y e isso foi a cereja do bolo para a minha frustração com essa história. Eu vou entender muito as pessoas que gostarem desse livro, porque eu consigo entender muito bem o porquê, mas eu consigo ver uma boa quantidade de pessoas se frustrando com esse enredo, então leia sabendo que tem boas chances de você não gostar.

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Resenhas 07set • 2017

Londres é Nossa, por Sarra Manning

Londres é o melhor lugar do mundo para mim. Já foi palco dos meus maiores romances vividos ao lado do Danny Jones nas fanfics de McFly que eu lia lá pelos meus quinze anos – era uma época maravilhosa, devo dizer. Então como eu poderia deixar passar a leitura de Londres É Nossa? Sarra Manning é uma autora que eu sempre recomendo para quem gosta de um bom romance, e como já era esperado, ela não só entregou o que eu esperava do enredo, como superou completamente as minhas expectativas. Estou completamente apaixonada pela Sunny e todos os outros personagens de Londres É Nossa, e tenho certeza que você vai se apaixonar também.

Sunny não é uma menina que gosta de se arriscar. Mark é seu primeiro namorado, estão juntos há oito meses e ela tem plena certeza de que o ama e que, por isso, ele é a pessoa perfeita para perder a virgindade. O que Sunny não esperava era receber uma foto do seu namorado – aka amor da sua vida – beijando outra garota. É claro que Mark teria uma explicação muito boa para aquilo, então o melhor a fazer seria ir até ele e perguntar o que estava acontecendo. É assim que Sunny se vê correndo por toda Londres com dois franceses muito engraçados tentando encontrar seu namorando – ou ex-namorado – para ouvir o que ele tem a dizer sobre a tal garota.

Londres É Nossa tem tudo e um pouco mais de tudo aquilo que eu sempre quis no enredo de um livro. Para começar, nós temos a Sunny, uma garota londrina negra em um enredo que não foi escrito com o objetivo de falar sobre racismo. Eu sei, falar sobre esse tópico é importante, mas vocês não enjoam de só ter personagens negras em livros quando a temática do livro é justamente essa? Quero dizer, eu ansiava há muito tempo por uma personagem negra que vivesse no enredo as mesmas experiencias que as incontáveis personagens brancas que temos por aí. E a Sarra Manning me deu isso de uma forma tão maravilhosa que eu ainda não sei como vou colocar em palavras.

“Não sou essa garota. Não sou a garota que acredita cegamente em tudo que o namorado diz e faz porque não aguenta ficar sem namorado. Uma garota triste. Não sou ela de jeito nenhum.”

A narrativa do livro se dá em primeira pessoa e, de cabeça, nós mergulhamos na vida da personagem principal que é uma adolescente comum, com as mesmas inseguranças que qualquer um de nós já teve como adolescente. O que eu mais gostei da Sunny como personagem, é que ela vive as mesmas experiencias de um adolescente comum, ela tem as mesmas dúvidas, ela faz os mesmos questionamentos e ela acaba amadurecendo com tudo o que acontece com ela durante o livro. Acompanhar o desenrolar desse enredo foi como reviver toda a minha adolescência e amadurecer junto com a personagem da Sarra.

Londres É Nossa não economiza nem um pouco na diversidade dos seus personagens e nas referências maravilhosas de Rupaul’s Drag Race e Meninas Malvadas. Honestamente? Livro me ganhou na primeira Drag que apareceu no enredo. É muito interessante quando você pega uma leitura que não se limita a estereótipos e nem utiliza as minorias como forma de vitimização.  Londres É Nossa é um enredo que trata todo mundo como seres humanos, que mostram um lado mais natural de todos os seus personagens e não cai naquela discussão chata do “politicamente correto”. Todos os personagens são fáceis de você se identificar e amar profundamente.

Mark está tocando meu braço. Como se ele ainda pudesse tocar em mim, quando na verdade não pode, não mais. E, de repente, fico contente por não ter dormido, pois sinto como se minha pele estivesse do avesso e não me importo com mais nada.”

Sarra Manning aborda muito no enredo a questão do feminismo de um ponto de vista muito mais leve e muito mais didático do que outros livros. Durante todo o enredo nós acompanhamos Sunny na sua busca pelo namorado e a cada acontecimento, nós conseguimos ver a personagem crescer e amadurecer, mas sem precisar ficar levantando a bandeira feminista o tempo todo. É um processo bastante natural do livro. Nós começamos com uma personagem chamando outra garota – que ela nem conhece – de “vagabunda” e acompanhamos todo o desenvolvimento da história até ela entender que chamar alguém de “vagabunda” não é nem um pouco legal. Afinal, não tem como você saber a história da pessoa até que ela te conte, não é mesmo?!

Londres É Nossa é um enredo muito inteligente, com uma discussão muito saudável sobre homossexualidade, racismo, feminismo e outros assuntos que hoje em dia lutamos para ver mais na literatura. Achei maravilhoso que a autora tenha escolhido fazer essas abordagens dentro de um romance adolescente com personagens comuns, que vivem as mesmas experiências que eu um dia vivi. É uma leitura que é impossível de você não gostar. Afinal, como você não ama uma personagem que coloca “terminar com o namorado” e “lavar a louça” na mesma lista?

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Resenhas 04set • 2017

Jane Austen Roubou Meu Namorado, por Cora Harrison

Eu vou cometer, o que talvez seja, a maior blasfêmia da minha vida: a leitura de Jane Austen Roubou Meu Namorado não me impressionou. E como uma grande fã de Jane Austen, eu me sinto muito culpada por não gostar de algo que envolva a autora – estou sendo bem honesta. Cora Harrison não é uma escritora ruim, seus diálogos são bem construídos, os personagens têm uma voz agradável, mas a narrativa… bem, a narrativa quebrou todo o clima que eu tinha para ler o livro. E aqui estamos nós, depois de mais de duzentas páginas de uma leitura frustrada para falar da minha primeira experiência com Cora Harrison.

Primeiro você precisa saber que Jane Austen Roubou Meu Namorado é o segundo livro da série Jane Austen, o primeiro livro foi publicado pela Rocco sob o título Eu Fui a Melhor Amiga de Jane Austen – que eu por um acaso tenho na minha estante, mas ainda não tive a oportunidade de ler. Vocês não precisam ler o primeiro livro para conseguir ler o segundo volume da duologia (não achei nada sobre um terceiro livro até agora, mas atualizo a resenha se eu encontrar), mas é sempre importante ler os livros na ordem certa. Estabelecido isso, vamos falar sobre a leitura de Jane Austen Roubou Meu Namorado.

O livro nada mais é do que o diário secreto de Jenny Cooper, prima de Jane Austen, onde ela narra suas aventuras com a escritora, ainda na adolescência. Neste enredo, Jenny está tentando convencer seu irmão – e tutor – a deixa-la se casar com o amor da sua vida, o capitão Williams. Claro que convencer o irmão não seria nada fácil e, por isso, Jenny conta com os ótimos conselhos que Jane Austen tem para lhe dar. Juntas elas vão se aventurar nos bailes da sociedade britânica, se envolver em escândalos e conquistar seus objetivos.

“- Odeio a Jane Austen! Odeio de verdade!
Paro. Conheço essa voz.
– Ah Lavinia, mamãe disse que Jane Austen é apenas uma garotinha atrevida, afetada, vulgar e caçadora de marido. Ela sempre fala que você não deve dar atenção a ela.”

A ideia por trás do enredo é bastante criativa e eu até pesquisei que a autora se baseou nos diários da própria Jane Austen para escrever a história, mas o que realmente matou Jane Austen Roubou Meu Namorado para mim foi o enredo. Eu gosto muito de narrativa em primeira pessoa, mas o formato de diário do livro me deixou muito incomodada. Apesar de Jenny ser uma personagem maravilhosa, ver toda o enredo do ponto de vista dela foi muito cansativo, principalmente quando sua maior preocupação era conseguir se casar com o seu capitão. Acabou que a autora não conseguiu entregar mais sobre a Jane Austen que, por sinal, foi o motivo de eu ter escolhido esse livro para ler.

Para um livro com uma quantidade de páginas considerável, Cora Harrison correu com o enredo como alguém corre em uma maratona. Eu nunca vi um livro onde acontece muita coisa ao mesmo tempo, mas se você analisar com calma, não está realmente acontecendo nada. Parte da minha frustração com essa leitura foi a falta de foco nos acontecimentos. Um minuto tínhamos esse problema, duas páginas depois ele já tinha sido resolvido. Eu não tive nem ao menos tempo de digerir a quantidade de personagens secundários e nomes que apareceram na história.

E eu preciso falar sobre essa mania de não mostrar as coisas acontecendo e simplesmente escrever que aconteceu. Não tem nada que me deixa mais incomodada com um livro do que quando o autor não se dedica para desenvolver um plot e simplesmente escreve um final aleatório. Cora Harrison fez isso duas vezes em Jane Austen Roubou Meu Namorado e eu quis muito amaldiçoá-la por isso, afinal eu estava ali para ver as coisas acontecerem e não ser convencida de tudo em um ou dois diálogos.

Não vou mentir, eu gostei muito de conseguir identificar os personagens dos livros de Jane Austen nos personagens que Cora Harrison apresentava durante o enredo. Eu vi a cunhada odiosa de Razão & Sensibilidade, vi a inspiração para Fanny que, apesar de não ser uma das minhas heroínas favoritas, ainda assim é ótima. Também conseguir ver um pouco de persuasão e acho que até de Emma. Não tem como negar que Jane Austen aproveitou cada uma das pessoas que passaram em sua vida para se inspirar, o que é uma coisa maravilhosa porque sabemos que existe uma possibilidade muito grande do Mr. Darcy ter sido real.

“- E tive que pagar as despesas postais – continuou Newton. – Por favor, Jane, não finja ser inocente. Só você escreve cartas desse tipo.
Jane pegou a carta e eu espiei por cima de seu ombro. Foi isto que lemos – prendi aqui em meu diário.”

Jenny é uma personagem muito legal e eu não tenho coragem de falar mal dela simplesmente porque eu não aguentava mais ficar duzentas páginas dentro da cabeça dela. É uma personagem simples, uma jovem garota britânica completamente apaixonada pelo seu noivo, ansiando o dia em que ela vai se casar. Ela também é uma ótima amiga para Jane Austen e muito fiel. Eu fiquei com muita vontade de ler o primeiro livro dessa série para conseguir conhecer um pouco mais dela, pois pelo o pouco que vi, o relacionamento com o irmão é um background que eu quero muito saber se a autora conseguiu explorar.

Tenho que dizer que teve apenas uma coisa que eu não entendi sobre esse livro: Porque o nome é Jane Austen Roubou Meu Namorado se não é isso o que acontece no livro? Passei por todos os capítulos esperando encontrar uma trama completamente diferente, cheia de brigas, obstáculos e amizades destruídas por causa de uma possível traição, mas ao invés disso Cora me entregou um enredo muito leve, com bons personagens e uma relação de amizade que eu tenho que admitir que era bastante interessante de se acompanhar. Vou deixar essa dúvida no ar, tudo bem?

Jane Austen Roubou Meu Namorado é um enredo adolescente leve, mas não acho que seja muito para os apaixonados por Jane Austen. Talvez para os que gostam de um bom romance de época voltado para o público adolescente, ou para aqueles que só querem um romance para relaxar. Ainda assim, foi uma leitura boa até aonde podia ser. Não vou mentir que eu sofri bastante com a narrativa – me incomodou demais, eu sempre vou lembrar vocês disso, mas os personagens e a escrita da autora conseguiram compensar bastante a ponto de eu terminar a leitura satisfeita e ainda com disposição para encarar o primeiro livro.

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Lançamentos Notícias 15ago • 2017

Geekerela é tudo que a gente queria em um livro

Eu realmente não sei como vocês ainda não estão caindo de amores por Geekerela. Eu já estava namorando esse livro muito antes da Intrínseca pensar em lançá-lo no Brasil e, graças aos deuses que essa editora está sempre lendo os meus pensamentos e trazendo esses livros maravilhosos para a nossa estante, não é mesmo?

Geekerela não é apenas um romance, mas sim, o melhor livro de releitura de contos de fadas que nós vamos ler.  Se você ainda não está convencido, basta ler os comentários do Goodreads sobre o livro de Ashley Payton lá fora. Sério, ele tem uma avaliação de 4.14 na rede social e os leitores são apenas elogios para esse enredo.

“Eu não tinha muita certeza sobre esse livro por algum motivo, mas fui agradavelmente surpreendida! Eu não sabia o que esperar antes de começar a ler, mas o livro é muito da história da Cinderela recontada e funcionou tão bem nessa configuração moderna. Apenas uma leitura rápida, fácil e boa.” – Hailey de HaileyInBookland

A série de ficção científica Starfield nunca foi tão popular quanto os outros sucessos do gênero, mas tinha um grupo de fãs leal. Juntos, os pistoleiros estelares aguardavam ansiosamente que o remake da série fosse anunciado, e entre eles estava Elle Wittimer, que queria que o protagonista do filme fosse qualquer ator, menos Darrien Freeman.

Darrien por sua vez queria o papel, mas não todo o glamour de astro pop que veio de brinde. Visto como só mais um rostinho bonito, ele próprio está começando a achar que se tornou uma farsa, mesmo que saiba de cor todas as falas, cenas e personagens de Starfield, que sempre foi seu seriado favorito.

Quando a produção do filme anuncia um concurso de cosplay que terá como prêmio um convite para um baile com o ator principal, Elle não consegue resistir. Na Abóbora Mágica, o food truck vegano onde trabalha, ela encontra ajuda de uma amiga meio maluca e muito talentosa para descolar o traje e a carruagem perfeitas para o baile.

Afinal, o concurso é a chance de Elle se livrar das tarefas domésticas impostas pela terrível madrasta, das malvadas irmãs postiças e de finalmente falar para aquele galãzinho de quinta categoria que é preciso muito mais do que um abdome sarado para interpretar o capitão da espaçonave Prospero.

Parte releitura da clássica história de Cinderela, parte homenagem à cultura nerd, Geekerela é um conto de fadas para todos aqueles que sabem o que é ser fã e se dedicar de coração àquilo que amam.

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Quando Elle Wittimer, nerd de carteirinha, descobre que sua série favorita vai ganhar uma refilmagem hollywoodiana, ela fica dividida. Antes de seu pai morrer, ele transmitiu à filha sua paixão pelo clássico de ficção científica, e agora ela não quer que suas lembranças sejam arruinadas por astros pop e fãs que nunca tinham ouvido falar da série. Mas a produção do filme anunciou um concurso de cosplay numa famosa convenção valendo um convite para um baile com o ator principal, e Elle não consegue resistir. Na Abóbora Mágica, o food truck vegano onde trabalha, ela encontra a ajuda de uma amiga cheia de talentos para moda que vai criar o traje perfeito para a ocasião. Afinal, o concurso é a chance de Elle se livrar das tarefas domésticas impostas pela terrível madrasta e das irmãs postiças malvadas.

Já Darien Freeman, o astro adolescente escalado para ser o protagonista do filme, não está nada ansioso para o evento, embora o papel seja seu grande sonho. Visto como só mais um rostinho bonito, o próprio Darien também está começando a achar que se tornou uma farsa. Até que, no baile, ele conhece uma menina que vai provar o contrário.

Parte do conteúdo desta publicação foi retirada do blog oficial da editora Intrínseca.

Resenhas 08ago • 2017

Guerra do Rock, por Robert Muchamore

Eu tinha enormes expectativas sobre Guerra do Rock. E quando eu digo enormes, eu quero dizer que estava esperando uma grande história sobre bandas e referencias dos clássicos que eu ouvi quando era adolescente. Porém, apesar da capa maravilhosa e de boas recomendações no Goodreads, Guerra do Rock foi uma leitura complicada, com um enredo lento e sem nenhum foco nos personagens apresentados. Robert Muchamore conseguiu me surpreender, mas não de uma forma muito positiva, devo dizer.

Guerra do Rock narra a história de três adolescentes – Jay, Dylan e Summer – com vidas completamente diferentes, mas que acabam se inscrevendo na mesma competição com o único objetivo de tornar as suas bandas famosas. Cada um desses adolescentes tem uma característica específica e uma história que os levou até aquele momento, todos com o sonho de ganhar o tão sonhado prêmio: ter o seu álbum produzido por uma gravadora.

Narrado em terceira pessoa, o livro de Robert Muchamore é carregado de problemas – muito mais problemas do que eu realmente esperava. Primeiro, o enredo. O livro não tem um personagem principal, logo, a narrativa oscila entre os três personagens apresentados de forma muito vaga pelo autor. Acompanhamos todos os personagens, capítulo atrás de capítulo, tentando encontrar uma forma de colocar a sua respectiva banda na competição. E é apenas isso. Guerra do Rock, infelizmente, não teve o enredo desafiador que eu estava esperando. Os personagens não foram explorados pelo autor, embora todos tenham um background bastante interessante.

“- Vocês devem conhecer essa música – disse o rapaz grande. – A versão original é do One Direction. E se chama “What Makes You Beautiful.

Os quatro garotos do Brontobyte se entreolharam e resmungaram. Alfie resumiu o que achavam:

– Falando sério, eu preferia levar um chute no saco.”

Meu maior problema com essa leitura foi a narrativa. Acredito que de todos os pontos negativos do livro, este foi o que mais me incomodou. A leitura simplesmente não fluía para mim. A escolha da narrativa em terceira pessoa me deixava incomodada, principalmente quando o autor mudava o foco da leitura de capítulo em capítulo, oscilando entre os três personagens sem nenhum gancho, sem nenhum aviso prévio ou qualquer coisa que me mostrasse que a história estava mudando de foco. Além disso, a escrita de Robert Muchamore é arrastada, cheia de detalhes irrelevantes e informações que não agregaram nada ao enredo.

Summer, de todos os personagens, foi a que eu mais gostei. Apesar de não ser tão explorada, Summer era a personagem com a personalidade mais forte e isso fez com que ela se destacasse de Dylan e Jay, pelo menos para mim. Mas, infelizmente, eu não posso ir muito além de um simples “gostei”, já que o autor não explorou o background da personagem, nem tirou proveito das suas limitações, ou das limitações dos outros dois personagens do livro. É muito frustrante quando você acha um personagem interessante e o autor não explora todo o potencial dele na história.

“Coco tocou e Summer começou a cantar. Ela tentou cantar depressa e com agressividade, da forma que Lucy tinha pedido, mas soou péssimo com o violão em vez da banda completa. Depois de um verso, Summer recuperou seu jeito normal de cantar.”

Outro ponto bastante negativo são os diálogos e as referências depreciativas a outras bandas. Eu não sei qual era o público alvo planejado para esse livro, mas ofender One Direction sem nenhum motivo não foi muito legal da parte do autor. Ele praticamente trouxe de volta aquela velha – e idiota – discussão sobre o que é música de verdade, quando no mundo real é tudo uma questão de gosto. Achei bem imaturo essa parte do enredo e ofensivo para quem, de alguma forma, se identifica com esse tipo de música.

A leitura de Guerra do Rock foi muito complicada. Eu fiquei com esse livro dias a fio tentando me conectar com algum personagem, tentando encontrar uma forma de fazer o enredo fluir, avançando os capítulos sem entender muito bem onde ele poderia chegar. Foi confuso e muito cansativo. Eu esperava encontrar um enredo que explorasse a música de uma forma gostosa, com personagens que eu me sentisse “em casa” e com um enredo que me mostrasse mais do que pessoas tentando conquistar a fama. Eu não sei bem onde Muchamore quer chegar com esse enredo, mas espero que o segundo livro seja bem melhor que o primeiro.

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Promoções Resenhas 25jul • 2017

Minha Vida Fora dos Trilhos, por Clare Vanderpool

Eu, literalmente, acabei de ler Minha Vida Fora dos Trilhos e, eu preciso escrever essa resenha enquanto a história ainda está bem fresca na minha cabeça. O que dizer? Minha primeira leitura de Clare Vanderpool foi muito mais complicada do que eu estava esperando. Não vou dizer que foi uma experiência ruim, mas com certeza não entrou para o hall de melhores livros que eu já li na minha vida. Com um enredo arrastado e cheio de informações vagas que não conseguem prender a atenção do leitor, Minha Vida Fora dos Trilhos é um livro com uma proposta interessante, mas que não entrega o que promete ao longo das páginas.

Lançado pela Darkside Books, Minha Vida Fora dos Trilhos é o segundo livro da autora publicado em terras brasileiras. O young adult vai contar a história de Abilene, uma garotinha que é enviada pelo pai para passar o verão na cidade de Manifest, com um “conhecido” dele. E o que era apenas para ser um verão normal em um lugar diferente, acaba se transformando em uma grande aventura quando Abilene entra uma caixa contendo diversas cartas e uma referência a um possível espião vivendo entre eles. O que ela não esperava era que a busca pelo tal espião fosse revelar a ela muito mais do que ela estava buscando.

A primeira coisa que se nota no enredo de Minha Vida Fora dos Trilhos é que, apesar de toda a conotação de mistério que é colocada em cima da história, não existe realmente um mistério. E, por isso, a leitura simplesmente não caminha conforme as expectativas do leitor. A escrita da Clare Vanderpool te instiga a procurar por uma aventura, a se envolver com os personagens, a tentar entender os porquês de tudo o que é mostrado ao longo da leitura, porém a autora não entrega nenhuma dessas coisas. O enredo não tem profundidade assim como os seus personagens, nos deixando preso no marasmo que é cada página do livro.

O livro pode ser uma boa leitura para algumas pessoas, não nego. Acredito que aqueles que se aventuraram em Em Algum Lugar Nas Estrelas, certamente vão achar este livro tão bom quanto o primeiro. E talvez seja, caso você goste de uma leitura que não apresenta muitos desafios ao leitor. Agora, se você está começando Minha Vida Fora dos Trilhos com altas expectativas e esperando por um enredo que vai fazer seu coração palpitar, eu sugiro que faça uma pausa, conte até dez e depois recomece a leitura com os pés no chão, sabendo que existe uma grande chance de você se decepcionar.

Minha Vida Fora dos Trilhos não vai muito além da busca de uma garota por um suposto espião e uma vidente contadora de histórias que realmente sabe como prender a atenção de uma criança. Com capítulos arrastados e um enredo que nunca parece chegar a lugar algum, não espere se envolver com os personagens ou conhecer mais da história da própria Abilene. Esse livro não é sobre ela. Não é sobre muito coisa que você vai achar que é e, quando realmente por sobre alguma coisa, ele vai acabar e você vai ser deixado no breu da frustração com a dúvida de ter ou não realmente entendido a história.

A autora pecou bastante na falta de ambientação das duas linhas temporais que são trabalhadas em Minha Vida Fora dos Trilhos. Nós temos a história da Abilene que se passa durante a grande depressão e, nós temos a história contada pela vidente que se passa durante a primeira guerra mundial. Dois períodos históricos muito importantes que eu acredito que foram abordados de forma bastante superficial, tendo muito pouca influência no desenvolvimento da história em si.

Mas eu não vou ser tão crítica com o que eu descobrir ser, o livro de estreia da Clare Vanderpool. Sua escrita é interessante e soa como uma poesia muito bem construída. Mas ela se perde um pouco na quantidade de floreios, nos detalhes desnecessários e esquece que a narrativa precisa caminhar e que o leitor anseia por algo que o faça querer chegar no próximo capítulo, ou até mesmo, na próxima página. O enredo não foi bem organizado, informações necessárias não foram colocadas, os outros ângulos da narrativa não foram explorados e, por fim, ficamos apenas com os fatos que temos e o fim.

Coloquei Minha Vida Fora dos Trilhos de volta na estante com o desejo de ter conhecido mais sobre Manifest, sobre a vida das pessoas daquela cidade e sobre a nossa heroína e o relacionamento com o seu pai, que foi a parte do livro que eu mais ansiei em ler, mas me foi negada pela autora. Acredito que até mesmo os personagens secundários como Shady e Hattie Mae, deixaram sua marca em mim, mesmo que eu não tenha menor ideia de quem eles sejam realmente. Faltou background, falou diálogos mais profundos e histórias contadas em primeira pessoa e não em terceira.

Eu não duvido que Clare Vanderpool seja uma escritora maravilhosa. Eu gosto da forma que ela escolhe suas palavras, são sonoras, se encaixam bem no enredo, mesmo que não levem o leitor para lugar algum. Eu comecei a leitura de Minha Vida Fora dos Trilhos esperando viver uma grande aventura ao lado da personagem principal do livro, mas não sei dizer se ela mesma viveu essa aventura. Faltaram muitas coisas nesse livro que eu espero encontrar na minha próxima leitura da autora, quando eu me recuperar dessa ressaca literária de um livro que não chegou nem perto de ser o que eu esperava.

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  7. O ganhador terá o prazo de 03 dias para responder ao e-mail que lhe será enviado. Caso não o faça, um novo ganhador será definido;
  8. O envio do livro será feito pelos blogs organizadores no prazo de até 90 dias após o ganhador informar seu endereço;
  9. O blogs não se responsabilizam por extravio ou atraso na entrega dos Correios. Assim como não se responsabilizam por entrega não efetuada por motivos de endereço incorreto, fornecido pelo próprio ganhador;
Resenhas 17jun • 2017

O Livro de Sangue e Sombra, por Robin Wasserman

Tudo começou com O Livro. E depois disso acabou se tornando um dos melhores thrillers YA que eu poderia ter escolhido para ler. A verdade é que eu escolhi O Livro de Sangue e Sombra sem muitas expectativas de encontrar uma leitura que fosse me conquistar, afinal, eu não sou a maior fã de suspense policial que vocês vão encontrar na internet. Mas acho que esse é o grande “Q” de você dar uma chance a leituras que são fora da sua zona de conforto: você sempre pode se surpreender. E foi exatamente o que aconteceu comigo lendo esse livro. Os personagens eram maravilhosos, a escrita da autora fluía de uma forma incrível e o enredo eletrizante só fechava o pacote de uma ótima leitura.

Tudo começa com O Livro, quando Nora e seu amigo Chris, começam a trabalhar na tradução do mesmo. Não parecia ser algo muito complicado. Algumas horas depois da aula, créditos extras para a faculdade e ainda trabalhar com Latim, que era algo que ambos tinham facilidade. Porém, quando Chris simplesmente aparece morto, Nora começa a perceber que tudo aquilo não é mais uma brincadeira e que as cartas que ela vinha traduzindo escondiam muito mais segredos do que ela mesma poderia imaginar. Desesperada para descobrir o porquê da morte do amigo, ela parte em uma aventura onde as revelações possam ser ainda mais assustadoras do que ela estava esperando.

Eu nem sei como que eu começo a falar da escrita da Robin Wasserman. Me lembrou bastante de Dan Brown, ao mesmo tempo que me pareceu uma leitura muito mais agradável do que eu tive nos livros dele. Apesar de uma narrativa muito detalhada, carregada de palavras em latim e significados nas entrelinhas, O Livro de Sangue e Sombra tem um enredo que consegue fluir muito bem, e envolve no meio do mistério que gira em torno da personagem principal. Eu normalmente não me sinto presa a enredos desse tipo, mas este livro em particular conseguiu prender a minha atenção do início ao fim – eu simplesmente não conseguia mais largar essa leitura.

O primeiro ponto positivo é que a autora deixou o romance totalmente em segundo plano nessa história. Apesar da Nora ser uma adolescente, ter um namorado e estar envolvida em um triângulo amoroso com ele e a melhor amiga, o enredo de O Livro de Sangue e Sombra vai muito além dos dramas românticos da vida adolescente. A autora realmente foca no que está acontecendo a volta da personagem. Todo o instinto dela está voltado para entender as cartas, porque seu melhor amigo foi morto e o que há de tão importante para ser descoberto por ela e pelos amigos. Só isso já fez com que Robin ganhasse vários pontos comigo.

O enredo do livro é simplesmente fantástico. Totalmente Dan Brown para aqueles que simplesmente não tem saco para ler os livros do Dan Brown. Os personagens são inteligentes, muito bem construídos. A história tem suas reviravoltas nos momentos certos e toda a base história que precisamos para entender o contexto do universo do livro nos é dada ao longo do enredo, sem fazer com que a narrativa se arraste ou fique cansativa. Eu gostei muito de como a autora soube distribuir bem o suspense ao longo do livro, não focando a história apenas no plot principal, mas também apresentando pequenas tramas secundárias que contribuíam para que o enredo fluísse.

Nora foi uma personagem principal que eu consegui me apegar bastante. Como o livro é todo narrado do ponto de vista dela, é fácil de você se conectar com a personagem e entender como as coisas realmente aconteceram. A narrativa do livro em primeira pessoa foi muito importante para que a leitura de O Livro de Sangue e Sombra fosse tão boa como foi. Nora tem uma voz suave, é gostoso estar na cabeça dela porque, apesar de ela estar envolvida em coisas muito complicadas, ela continua sendo apenas Nora, e você consegue se colocar no lugar dela com facilidade.

O universo criado por Robin Wasserman não deixa nada a desejar. Apesar de eu ter achado que a autora poderia ter economizado um pouco na tradução das cartas, que ocuparam, às vezes, cinco páginas de um capítulo, o contexto histórico do livro estava muito bem trabalhado, e fazia com que todo o mistério do enredo soasse ainda mais interessante para o leitor. É simplesmente impossível você ler O Livro de Sangue e Sombra e não ficar curioso para entender o que é o Livro, o que está por trás das cartas e como é que a Nora se encaixa nisso tudo. Eu nem ao menos tinha percebido quando foi que eu comecei a devorar a história, sério. Um dia inteiro grudada nas páginas desse livro até concluir a leitura.

Eu nunca pensei que fosse realmente gostar de um thriller, sendo bem sincera. E se você é como eu e tem um certo tipo de resistência ao gênero, eu acho que O Livro de Sangue e Sombra pode ser um bom começo para que você saia da sua zona de conforto literária. Realmente funcionou para mim, eu estou completamente apaixonada pelo livro. Agora, se você já é fã do gênero e tem o plus de gostar de YA também, com certeza essa vai ser a leitura perfeita pra você.

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Resenhas 21dez • 2016

Suzy e as Águas-vivas, por Ali Benjamin

O que eu mais gosto no mundo da literatura é a oportunidade de conhecer novos autores e novas histórias. E esse, foi um dos maiores motivos de eu ter escolhido Suzy e as Águas-vivas como uma das minhas leituras. Romance de estreia de Ali Benjamin e eleito um dos melhores livros do ano pelo New York Times, o livro foi recentemente publicado no Brasil pela Verus Editora e já conquistou os leitores brasileiros com seu enredo emocionante e sua personagem principal encantadora.

Suzy e as Águas-vivas é um Young Adult que conta a história da Suzy, uma criança inteligente e bastante que criativa que, quando recebe a notícia de que sua melhor amiga – ou ex melhor amiga – havia morrido afogada durante as férias de verão, resolve se fechar dentro do seu mundo. O problema é que Suzy acredita que Franny, sua melhor amiga, pode ter morrido por outro motivo, afinal, ela sempre foi uma ótima nadadora. E é em uma visita ao aquário organizado pela escola que ela percebe que, talvez, Franny possa ter sido picada por uma água-viva e que essa talvez seja a explicação mais plausível para o que aconteceu, mesmo ela precisando encontrar uma forma de provar isso.

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Eu nunca li um livro como Suzy e as Águas-vivas, uma montanha russa emocional tão complexa e tão simples ao mesmo tempo. A narrativa do livro é feita em primeira pessoa, do ponto de vista da Suzy junto com alguns flashbacks da amizade dela com Franny. Confesso que o começo do livro me pareceu um pouco cansativo, principalmente porque eu ainda não estava entendendo onde a autora queria chegar com todas as informações que ela estava me dando. Mas tão logo as coisas começaram a se encaixar, o enredo do livro me envolveu de tal forma, que eu só consegui largar quando terminei.

A verdade é que quando eu comecei a ler Suzy e as Águas-vivas, eu não pensei que esse livro iria me destruir tanto por dentro quanto me destruiu. Eu sabia que ele poderia ser um livro triste, mas não que iria me deixar emocionalmente abalada como deixou. Eu já li muitos livros desse estilo, mas nenhum deles me fez ter tanta vontade de abraçar um personagem e dizer que tudo ia ficar bem. Era desesperador você conseguir entender e sentir tudo o que a Suzy estava sentindo e simplesmente não poder fazer nada a respeito. E a autora ainda colocava as situações de uma forma tão simples, que meu peito doía com tudo o que eu lia.

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Ali Benjamin tem uma escrita que é impossível de descrever. Seu jeito leve de contar a história nos envolve em uma narrativa que, a princípio, me pareceu bastante inocente, mas que foi se mostrando tão intensa e tão cheia de detalhes ao longo de cada capítulo que foi praticamente impossível não me entregar a essa leitura. Eu gostei bastante de como o enredo se desenvolveu, de como ela criou um contraste de como Suzy se sentia antes da amiga falecer e de como ela se sentia agora que ela já não estava mais viva. Isso me fez mergulhar ainda mais na história e conseguir entender a personagem principal como um todo.

Um dos pontos mais positivos do livro é que a autora aborda o bullying de uma maneira que eu não estava esperando. Principalmente porque ele acontecia de uma forma tão sutil que, se eu fosse uma pessoa de fora observando, jamais conseguiria perceber. A construção da personagem também foi muito cuidadosa, e eu gostei bastante que Ali Benjamin optou por fugir dos estereótipos e nos dar uma personagem muito ligada a ciência e com os cabelos rebeldes, crespos e que sofria o mesmo tipo de “criticas” que algumas pessoas semelhantes sofrem.

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Eu nunca pensei que eu fosse gostar tanto de uma leitura, principalmente porque quando eu comecei a ler Suzy e as Águas-vivas, eu não estava com as expectativas tão altas sobre o livro. Ainda assim, Ali Benjamin encontrou a fórmula perfeita para contar uma história e me fez chorar muito mais do que eu estava preparada. É simplesmente desesperador você ver a personagem principal sofrer da forma como ela estava sofrendo e perceber que as pessoas a volta dela não entendem, não percebem. Algo que, se pararmos para pensar, acontece com muitas pessoas.

Suzy e as Águas-vivas foi um dos melhores Young Adults que eu já li nos últimos tempos. Com um enredo envolvente e uma personagem principal que é impossível não amar, Ali Benjamin mostrou que veio para se tornar uma das nossas escritoras favoritas e eu mal posso esperar para que a Verus Editora consiga trazer outras publicações dela aqui para o Brasil. Se você é um leitor que ama Young Adult, esse é um livro que realmente não pode faltar na sua estante.

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